domingo, 9 de maio de 2010

LIBERDADE NA APRENDIZAGEM!

 Dizem que os olhos são o espelho da alma. Contudo, Platão, no seu livro “Fedro”, expôs magistralmente a sua teoria da Alma Prisioneira. Diz como a alma imortal e celeste, quando encarna na vida humana física, se torna escrava dos sentidos materiais e submerge numa espécie de sonho e olvido. Esquece a sua natureza, a sua capacidade de voar e de elevar-se por cima das necessidades da sua jaula —a personalidade— que não são suas necessidades. A Alma, dizia Platão, não é desta terra e carece das necessidades físicas, psicológicas e mentais que esta terra gera. A alma não se alimenta dos frutos desta terra mas sim de outros, celestes; não necessita da aprovação alheia para fazer ou não fazer; não necessita de auto-estima porque naturalmente a tem; antes melhor estima aquilo que ama. Não se sente limitada pelo aqui e agora; nem pelo cárcere do tempo que separa, de acordo com a lei de causa e efeito mundana, o ontem, do hoje e do amanhã. Ama uma beleza que não é condicionada pela idade nem pelas circunstâncias, exibe uma bondade que é ela mesma, a sua própria essência e natureza; é, enfim, a verdadeira medida das verdadeiras acções; o selo de autenticidade no devir de valores relativos do mundo.

E ensinava Platão que a Alma, como uma ave celeste numa jaula formada por ideias, crenças e necessidades deste mundo, pode despertar do sonho e olvido quando percebe na natureza e no comportamento dos outros fulgores que não são deste mundo mas sim de outro mais elevado e puro. Por exemplo, todo o acto de generosidade na selva dos interesses criados brilha como uma estrela na noite. É necessário ensinar à alma a sua verdadeira natureza para que, recordando e exercitando-se, possa recuperar a sua capacidade de voo; pois é esta, só e não outra, a essência da verdadeira liberdade. Pode existir tarefa mais nobre que libertar a alma das suas ataduras? E que reconheça assim o seu divino parentesco com todas as outras almas, não só humanas mas de tudo o que alenta na natureza ou na própria imensidade do espaço? Quando S. Francisco de Assis dizia “Irmão Sol, Irmã Lua, Irmãs Estrelas…” não o fazia de modo figurado, literário, mas sim que percebia uma verdade que todas as almas despertas podem perceber e que é nosso dever e saúde não esquecer. Para Platão o amor à Sabedoria —pois isto é Filosofia e não sisudo estudo— é o espelho mágico que permite à alma recordar a sua verdadeira natureza; para fazer, como fruto deste reconhecimento, aquilo que deve fazer aqui e agora. Pois como ensinam os velhos textos da Índia: apenas no dever, interior e definitivo, se encontra a verdadeira acção. É fora deste, quer dizer, fora dos fins e confins da alma que se projectam as ilusões da acção, triste resposta às ilusões da vida. Paz profunda ao seu coração!

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